Em outubro, o voto não é só para presidente

Nesta eleição que se aproxima, em 12 dias começa a temporada das convenções partidárias. É quando os partidos escolhem oficialmente quem vai colocar o nome na disputa e a política vira palco.
No momento, o jogo é para a plateia. Principalmente para os marinheiros de primeira viagem. A democracia exige esse ritual, e a eleição é o vestibular para aprovar quem vai representar a sociedade nos próximos 4 anos.
Um dado anima e precisa ser levado a sério: 57% do eleitorado diz que vai votar de forma independente este ano. É um excelente sinal. Sinal de que podemos romper os currais eleitorais daqueles políticos fisiológicos, carregadores de ilusão e da velha prática de amarrar eleitores por cabos eleitorais que cobram fortunas para induzir e direcionar o voto.
Nesta eleição, o radar do eleitor não pode ficar restrito à Presidência da República. O Congresso Nacional tem que ser o centro da luta política. Afinal, é lá que comprometemos nosso presente e nosso futuro.
Não podemos deixar o país na mão do centrão atrasado, que negocia cargos e só aprova projetos pessoais em troca de apoio.
O orçamento público virou moeda de troca
O Brasil não pode continuar comprometendo seu orçamento público com emendas parlamentares que transformam o Congresso num botequim da patifaria política que vemos país afora.
É dinheiro do contribuinte sendo distribuído para negociatas, sem planejamento, sem critério técnico e sem propósito nenhum para o povo.
Deputado federal tem que fazer o que a Constituição manda: fiscalizar e legislar. Essa função foi interditada pelas emendas parlamentares. É o mesmo que colocar a raposa no galinheiro.
O exemplo mais recente está aqui perto de nós. A Polícia Federal deflagrou no município de Rio Largo a operação "Beco da Pecúnia", que investiga justamente o desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares.
Recursos que deveriam custear saúde, educação e infraestrutura estão sendo alvo de denúncia por supostas fraudes, superfaturamento e distribuição para favorecer grupos políticos.
Se uma emenda chega na ponta e vira caso de polícia, o problema não é pontual. É estrutural. É o modelo que precisa ser punido.
A hora de cobrar é agora
É uma vergonha. E é uma vergonha que a sociedade pode e deve mudar em outubro.
Não adianta reclamar do Congresso em janeiro e votar nos mesmos nomes em outubro. O voto independente é a ferramenta para quebrar esse ciclo.
Precisamos eleger deputados e senadores que entendam que o mandato não é para gerir obras com dinheiro de emenda. É para legislar leis que melhorem a vida de todos e fiscalizar para onde vai cada centavo do orçamento.
O eleitor independente não deve voto a cabo eleitoral, não deve favor a prefeito e não precisa aceitar esmola em ano eleitoral. Ele deve satisfação apenas ao interesse público.
As convenções começam em 12 dias. Os nomes serão lançados. Os discursos inflamados virão. Mas a decisão real será em outubro.
E ela não pode ficar na mão de quem trata o orçamento público como caixa de campanha.
Se queremos um país sério, a punição começa na urna.