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Opinião

QUEM VOTA EM FLÁVIO NÃO DERROTA LULA. DERROTA O BRASIL.

Regis Cavalcante· 3 min de leitura
QUEM VOTA EM FLÁVIO NÃO DERROTA LULA. DERROTA O BRASIL.
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Esta eleição tornou-se uma questão de vida ou morte para o bolsonarismo, para a direita democrática, para o Estado Democrático de Direito e para a soberania nacional

Esta eleição presidencial deixou de ser apenas uma disputa de projetos. Tornou-se uma encruzilhada histórica. É uma questão de vida ou morte em quatro dimensões distintas, mas interligadas.

1. Para o bolsonarismo, é o fim do clã.

A derrota de Flávio Bolsonaro significa o ponto final da dinastia política que se construiu no Brasil nas últimas três décadas. Sem mandato, sem foro e com um rosário de processos que vão da prática de rachadinha a desvios de emendas parlamentares, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa, Flávio será empurrado para o mesmo destino do irmão Eduardo Bolsonaro em seu autoexílio nos Estados Unidos, e do ex-deputado Alexandre Ramagem, figura central na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Sem a Presidência, o chefe do clã perde as duas tábuas de salvação que o filho já prometeu: o indulto e a condição de "sombra do trono". Sem isso, desmorona o projeto de articular, com setores das Forças Armadas e das polícias, um governo autoritário de caráter abertamente fascista.

2. Para a direita comprometida com a democracia, é a última chance de existir.

Se a direita democrática tivesse tido autonomia, seu candidato hoje seria Tarcísio de Freitas — e já estaria eleito no primeiro turno. Por duas razões objetivas: todos os partidos de direita e centro-direita estariam unidos em torno de seu nome, e ele teria uma rejeição infinitamente menor do que Jair Bolsonaro e seu clã em todas as classes e segmentos sociais que hoje ainda preferem Lula.

Isso não aconteceu por imposição direta do chefe do clã. Ao impor o filho Flávio como candidato, Bolsonaro obrigou Tarcísio a se contentar com a reeleição em São Paulo, ainda que com vitória folgada no primeiro turno. O resultado? Todo o sistema político-partidário de direita se apequenou no Congresso, enquanto assistimos ao avanço da hegemonia do PL nas duas Casas.

A vitória de Flávio significará a sujeição definitiva de toda a direita brasileira aos interesses de uma única família. Como os Estados Unidos, o clã Bolsonaro não tem amigos, tem interesses.

3. Para o Estado Democrático de Direito, é a sua extinção.

No governo Jair Bolsonaro, sem maioria consolidada, o clã controlava apenas o Executivo. Foi o suficiente para aparelhar o Ministério da Justiça e o Ministério Público e blindar a família de qualquer investigação.

Agora o cenário é outro. Com o Legislativo tutelado pelo clã, quebra-se a interdependência harmônica entre os Poderes. A intrusão sobre o Judiciário desfigurará o sistema de Justiça, transformando-o em satélite dos interesses da família. O que antes foi tentativa de aparelhamento, agora será controle.

4. Para a soberania nacional, é a entrega.

Assistimos no segundo governo Trump a um avanço sem precedentes dos Estados Unidos sobre todas as Américas. Na América do Sul, o único país que não se subordinou é o Brasil.

Sem base interna sólida para alinhar o Brasil à política externa americana, o bolsonarismo opera por meio de seus agentes mais reacionários — Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e outros da mesma laia — para obter de Washington o apoio político e militar necessário para submeter nossos interesses estratégicos aos deles.

É por isso que esta eleição é de vida ou morte. Não é sobre derrotar Lula.

Quem vota em Flávio não está derrotando Lula. Está derrotando o Brasil.

Regis Cavalcante é jornalista