Uma economia do mar gigante para Alagoas

Há mais de uma década atuo na defesa de políticas públicas para a aquicultura e a pesca alagoana. Participei da criação da Lei nº 7.618, de 5 de maio de 2014, que instituiu a Política Estadual de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca no governo Teo Vilela. A norma deu a Alagoas um arcabouço jurídico para ordenamento, fiscalização e fomento.
De lá para cá, sucessivos governos deram as costas para esse imenso litoral e para as nossas lagoas. Temos água em abundância e um dos menores índices de produtividade marinha do Nordeste.
Como vamos definir o futuro de Alagoas nos próximos quatro anos, vejo com esperança a disposição do candidato ao governo JHC em discutir a economia do mar. A Federação PSDB/Cidadania trouxe a pauta de volta com a proposta de uma economia oceânica sustentável.
Falo de uma política pública estruturante para a cadeia da pesca, aquicultura e apicultura, incluindo energia renovável de ecossistemas dulcícolas, salobros e marinhos. No plano de ação: algicultura de micro e macroalgas para biomassa e rotas biotecnológicas para indústria; qualificação do comércio de pescados, mariscos e crustáceos; apoio à pesca artesanal; turismo sustentável e agroecologia.
Essa cadeia atende diretamente à demanda crescente do turismo e da rede gastro-hoteleira de Alagoas, com potencial de expansão para outros estados e exportação. Cria cultura de produção não-extrativista, preserva a sociobiodiversidade e agrega valor com bioinsumos para alimentação, cosméticos, fármacos e agropecuária. É ciência, PIB, economia azul e crédito de carbono.
Patinamos por falta de decisão. Governo inoperante não implanta modelagem moderna. Está na hora de Alagoas abraçar de vez uma política arrojada para a pesca e aquicultura. Essa é a esperança que me move.