“Psicopata”: ex-mulher relata bastidores e comportamento do empresário líder de fraude bilionária em mineração
23/09/25
By:
Redação
Segundo ela, o esquema envolvia corrupção de autoridades, uso de licenças ambientais fraudulentas e influência sobre pessoas-chave

A ex-mulher de Alan Cavalcante do Nascimento, empresário alagoano preso pela Polícia Federal por liderar um esquema bilionário de mineração ilegal, relatou que ele agia como um “psicopata” e tinha convicção de que jamais seria pego. Em depoimento, ela revelou detalhes dos bastidores da quadrilha que teria movimentado mais de R$ 4 bilhões explorando minério de ferro de forma irregular em Minas Gerais.
Segundo ela, o esquema envolvia corrupção de autoridades, uso de licenças ambientais fraudulentas e influência sobre pessoas-chave, como ex-deputados e servidores públicos. Um dos episódios mais graves relatados foi a tentativa de Alan de se aproximar de uma secretária estadual de Meio Ambiente para facilitar autorizações, chegando a incentivá-la a conviver com seus filhos, e, diante da negativa, a ameaçá-la.
A ex-companheira também afirmou que o empresário escondia milhões de dólares em espécie dentro de malas, mantidas em imóveis em Alagoas, e que ostentava a certeza de impunidade. A investigação revelou compra de apartamentos em prédios onde juízas que julgavam processos de interesse do grupo moravam, em possível tentativa de intimidação. Após a operação, Alan e outros dois suspeitos foram transferidos para uma penitenciária federal de segurança máxima em Campo Grande (MS), em um movimento inédito para crimes ambientais no país.
A Justiça bloqueou cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos ligados à quadrilha, e os investigadores estimam que os projetos da organização poderiam gerar até R$ 18 bilhões em lucros. O caso também trouxe à tona denúncias de degradação ambiental, escassez de água em comunidades próximas às minas e riscos graves aos ecossistemas. Para autoridades e especialistas, o episódio expõe falhas na fiscalização da mineração no Brasil e a influência de empresários sobre órgãos reguladores.
Agora, o andamento do processo na Justiça será crucial para confirmar as acusações e definir a extensão da responsabilidade de cada envolvido, em um caso que se tornou símbolo do desafio de combater grandes esquemas de corrupção e crimes ambientais no país.
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