19 de abril: em Alagoas, população indígena ultrapassa 25 mil pessoas
19/04/25
By:
Redação
Os dados mostram que essa população está distribuída de forma relativamente equilibrada entre zonas urbanas e rurais

De acordo com o novo boletim temático divulgado nesta semana pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) revelou que Alagoas abriga atualmente 25.725 pessoas que se autodeclaram indígenas, número que coloca o estado na sexta posição entre os nove estados do Nordeste. Os dados mostram que essa população está distribuída de forma relativamente equilibrada entre zonas urbanas e rurais: são 14.724 indígenas vivendo em áreas urbanas e 11.001 em áreas rurais.
O número reflete a presença e resistência dos povos originários no território alagoano, que historicamente abrigou diversas etnias, com destaque para os povos Xukuru-Kariri, Karapotó e Wassu Cocal, entre outros. Esses grupos continuam mantendo vivas suas tradições, línguas e modos de vida, apesar das pressões sociais e econômicas.
No comparativo regional, a Bahia lidera com 229.443 indígenas, seguida por Pernambuco (106.646) e Maranhão (57.166). Alagoas fica à frente de estados como Rio Grande do Norte (11.724), Piauí (7.202) e Sergipe (4.710), evidenciando a relevância da presença indígena no estado.
Em Alagoas, as principais comunidades indígenas estão localizadas nas diversas regiões do estado, com destaque para o sertão, litoral norte e zona da mata. Veja abaixo os principais locais onde vivem povos indígenas reconhecidos:
1. Palmeira dos Índios:
Povo Xukuru-Kariri
Uma das etnias mais conhecidas do estado, com forte presença cultural e histórica. A aldeia está situada próxima à zona urbana do município, com forte atuação na luta por terras e pela preservação de tradições.
2. São Sebastião / Porto Real do Colégio
Povo Karapotó Plaki-ô e Karapotó Terra Nova
Vivem próximos ao Rio São Francisco, com presença marcante na cultura local. São reconhecidos oficialmente e possuem Terras Indígenas demarcadas.
3. Joaquim Gomes
Povo Wassu Cocal
Localizados no litoral norte de Alagoas, na região de mata. São conhecidos por manter viva a tradição da cultura Cocal, especialmente o Toré e o artesanato.
4. Pariconha / Inhapi (Sertão)
Povo Kalankó
Estão localizados no alto sertão alagoano, em regiões de difícil acesso. Lutam há anos pelo reconhecimento e demarcação de suas terras.
5. Traipu
Também há comunidades indígenas ligadas aos Karapotó, com presença em áreas ribeirinhas.
Essas comunidades mantêm vivas tradições culturais, como o Toré (dança sagrada), o uso da medicina tradicional, a confecção de artesanato e a organização por meio de lideranças locais. Muitas enfrentam desafios relacionados à demarcação de terras, saúde indígena, educação diferenciada e preservação cultural.
A divulgação desses dados serve como alerta e incentivo para que as autoridades e a sociedade reconheçam e valorizem a diversidade étnica presente em Alagoas, respeitando os direitos dos povos indígenas e promovendo a preservação de sua história e saberes ancestrais.
19 de abril: Dia dos Povos Indígenas
O dia 19 de abril, conhecido como Dia dos Povos Indígenas (anteriormente chamado de Dia do Índio), é uma data de grande importância para a valorização, reflexão e reconhecimento dos povos originários do Brasil. Criado em 1943 por decreto do então presidente Getúlio Vargas, o dia foi escolhido em referência ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México em 1940, onde lideranças indígenas de vários países se reuniram para debater seus direitos, cultura e território. A data marca não apenas a resistência histórica, mas também a contribuição dos povos indígenas para a formação cultural, social e ambiental do país.
Em Alagoas, o 19 de abril ganha um significado especial diante da presença ativa de comunidades como os Xukuru-Kariri, Karapotó, Kalankó e Wassu Cocal. Essas populações enfrentam desafios históricos, como a luta pela demarcação de terras e o acesso a políticas públicas específicas, mas seguem fortalecendo suas raízes e tradições. O Dia dos Povos Indígenas é, portanto, uma oportunidade não apenas de celebração, mas também de conscientização sobre os direitos desses povos, reforçando a importância do respeito à diversidade étnica e cultural que compõe a identidade brasileira.
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