Acampados no agreste de Alagoas denunciam ameaças
31/07/25
By:
Redação
Os camponeses do acampamento Papa Francisco, em Arapiraca, afirmam que sofrem constantes ameaças

Desde abril deste ano, o Acampamento Papa Francisco, localizado na Fazenda Laranjal, em Arapiraca, Alagoas, tem se tornado um símbolo de resistência na luta por reforma agrária. Contudo, a coragem dos acampados e acampadas tem sido desafiada por ameaças constantes, culminando em um grave episódio na última segunda-feira (28), quando disparos de arma de fogo foram registrados em direção aos barracos de lona.
Esse ato de violência ocorreu logo após uma audiência de conciliação promovida pela Comissão de Solução de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), com a presença de órgãos como o Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (ITERAL) e a Promotoria da Vara Agrária.
Os relatos dos acampados apontam que os disparos foram feitos nas proximidades do acampamento, colocando em risco não apenas a vida dos trabalhadores, mas também de crianças que estavam brincando nas imediações.
O Boletim de Ocorrência registrado no 55º Distrito Policial de Arapiraca revela o clima de terror vivido pelas famílias, que se viram obrigadas a se jogar no chão para evitar serem atingidas. Diante da situação alarmante, a coordenação do Movimento Sem Terra (MST) faz um apelo por segurança e proteção às famílias que residem no acampamento.
“Não podemos aceitar mais esse tipo de ameaça que coloca em risco a vida de várias pessoas, incluindo crianças e idosos”, enfatiza a coordenação. A realidade enfrentada pelos acampados é um lembrete da luta contínua pela terra e dignidade, que não é apenas uma questão de sobrevivência, mas de justiça social.
As intimidações, no entanto, não são novas: desde a ocupação do acampamento, os trabalhadores têm vivido sob a sombra do medo e da opressão, muitas vezes sujeitos à perseguição de pistoleiros e políticos locais. A coordenação do MST denuncia que a presença do movimento incomoda os poderosos da região, que, mesmo diante da mediação de órgãos estaduais e federais, optam por agir com violência em vez de buscar soluções pacíficas.
Após a documentação da ameaça, o MST planeja protocolar uma denúncia formal ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Justiça de Alagoas, além de informar o ITERAL, com o objetivo de garantir a integridade das famílias que habitam o Acampamento Papa Francisco.
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