Barroso vê fim de 'ciclo do atraso' após condenação de Bolsonaro e aliados
12/09/25
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A declaração foi feita no plenário da Primeira Turma do STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quinta-feira (11/9) que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão representa o fim de um “ciclo do atraso” na história brasileira, marcado pelo golpismo e pela ruptura da legalidade constitucional.
A declaração foi feita no plenário da Primeira Turma do STF, ao encerrar a sessão que julgou Bolsonaro e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Barroso não participou do julgamento por não integrar a turma, mas fez questão de comparecer ao encerramento, em caráter simbólico, onde classificou o trabalho do relator, Alexandre de Moraes, como "hercúleo".
"Acredito que nós estejamos encerrando os ciclos do atraso na história brasileira, marcados pelo golpismo e pela quebra da legalidade constitucional. Sou convencido que algumas incompreensões de hoje irão se transformar em reconhecimento futuro", declarou.
Em seu discurso, o magistrado, que preside o STF até o próximo dia 29 de setembro, enfatizou que o processo foi conduzido com transparência e amplo acesso às provas, como vídeos, mensagens, textos e confissões, rebatendo críticas de perseguição política.
“As compreensões contrárias fazem parte da vida, mas só o desconhecimento profundo dos fatos ou uma motivação descolada da realidade encontrará neste julgamento algum tipo de perseguição política”, afirmou.
Barroso frisou que, na democracia, divergências são naturais e devem ser respeitadas, mas que o compromisso com as regras do jogo e com os resultados eleitorais precisa estar acima das ideologias. “Pensamento único só existe nas ditaduras”, disse.
Para o presidente do STF, julgamento foi um divisor de águas
“Ninguém sai hoje daqui feliz. Mas a gente deve cumprir com coragem e serenidade as missões que a vida nos dá”, declarou, acrescentando que a decisão da Corte “julga autoridades civis e militares pela tentativa de golpe de Estado” e ajuda a virar uma página da vida nacional.
Ao final, Barroso fez um apelo pela pacificação. “Desejo, muito sinceramente, que possamos reconstruir relações, pacificar o país e trabalharmos por uma agenda comum, verdadeiramente patriótica, com as divergências naturais da democracia, mas sem intolerância, extremismo ou incivilidade.”
Fonte: O Tempo
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