Clínica dos Horrores: pacientes relatam agressões, cárcere privado e abuso sexuais em Maceió
27/08/25
By:
Redação
Boletins de Ocorrência retratam um ambiente, que deveria oferecer tratamento e acolhimento para pessoas em vulnerabilidade, era um palco de dor e sofrimento

Um ambiente que deveria oferecer tratamento e acolhimento para pessoas em vulnerabilidade acabou se transformando em palco de dor e sofrimento. É o que relatam em BOs ex-pacientes de uma clínica, chamada de comunidade terapêutica, em Marechal Deodoro, região metropolitana de Maceió.
O local foi interditado pela Polícia Civil nesta segunda-feira (25) e é investigado pela morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, além de denúncias de maus-tratos, cárcere privado, abusos sexuais e até estelionato. Uma vistoria foi feita pela comissão de delegadas que apura o caso, Polícia Científica e Vigilância Sanitária. Os donos foram presos.
O local foi interditado pela Polícia Civil nesta segunda-feira (25) e é investigado pela morte da esteticista Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, de 41 anos, além de denúncias de maus-tratos, cárcere privado, abusos sexuais e até estelionato. Uma vistoria foi feita pela comissão de delegadas que apura o caso, Polícia Científica e Vigilância Sanitária. Os donos foram presos.
"A gente percebe que o ambiente é muito pequeno, é insalubre e não tinha como 20 pessoas viverem aqui com o mínimo de dignidade de sanidade mental e física", disse a delegada Ana Luiza Nogueira.
No local foram encontradas manchas na parede de um dos quartos e ficou comprovado que se tratava de marcas de sangue. "Esse cômodo era chamado pelos internos de quarto da tortura, onde havia uma reiteração de condutas delitivas", relatou a delegada.
Na casa ligada aos proprietários, presos durante as investigações, a polícia encontrou um facão, uma arma de choque e medicamentos de uso controlado. De acordo com a delegada, há indícios de que os objetos eram usados para torturar os internos. A maioria dos Boletins de Ocorrência foi registrada após a morte de Cláudia Pollyanne. Os relatos serão incluídos no inquérito após a vítima ir até a delegacia com o B.O registrado.
O casal de proprietários, Maurício Anchieta e Jéssica da Conceição Vilela, já está preso. Ele foi capturado em um motel, após ser considerado foragido, e ela responde também a acusações de abusos sexuais contra uma adolescente internada. Ambos negam as acusações, e a defesa afirma que Jéssica teria apenas emprestado o nome para abertura da clínica.
Rotina de abusos
Em um dos boletins, um homem descreveu o período de internação como “um esquema de tortura”. No documento, ele conta que permaneceu na clínica entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. Segundo ele, os internos eram dopados diariamente, sofriam ameaças constantes e eram obrigados a se submeter a castigos físicos.
O relato cita ainda que os banhos eram cronometrados em apenas dois minutos, a alimentação era “como lavagem” e qualquer tentativa de comunicação com a família era controlada. Ele afirmou que apanhou do proprietário e chegou a ter três costelas quebradas. “Ao acordar, precisávamos correr ao redor da piscina, em jejum e sob efeito de medicamentos. Depois vinham exercícios forçados sob o sol, como polichinelos, uma verdadeira tortura diária”, disse o denunciante.
Segundo ele, homens e mulheres viviam juntos, todos dopados, sem acompanhamento médico. A permanência, que começou como voluntária, se tornou forçada. “Era cárcere privado disfarçado de tratamento”, acrescentou. Ele conseguiu sair do local após uma foto dele chegar até o irmão, que percebeu que não estava bem e foi retirado do lugar pela família. Casos de abuso sexual, agressões, estelionato, propaganda enganosa e outros crimes estão citados entre as denúncias.
Caso Cláudia
O caso da clínica ganhou repercussão após a morte de Cláudia Pollyanne, no dia 9 de agosto. Familiares relataram que a vítima apresentava hematomas pelo corpo, inclusive um grande no rosto. O dono da clínica disse que ela teria tido um surto de abstinência e foi levada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas médicos informaram que ela já estava morta há pelo menos quatro horas quando deu entrada.
Nesta segunda-feira (26) o Instituto Médico Legal (IML) divulgou o laudo que aponta a causa da morte da esteticista. Segundo os legistas ela faleceu por insuficiência respiratória decorrente de agressões e intoxicação por medicamentos.
Fonte: G1 Alagoas
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