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Compra e venda de dólares no dia do anúncio do tarifaço de Trump ao Brasil dá sinais sobre uso de informações privilegiadas

19/07/25

By:

Redação

Decisão foi fora dos padrões da diplomacia e das relações comerciais entre países

A chantagem de Donald Trump ao impor tarifas sobre produtos brasileiros de exportação foi uma medida completamente fora dos padrões da diplomacia e das relações comerciais entre os países e, por isso, mesmo provocou uma surpresa enorme. Mas um movimento muito estranho de compra e venda de dólares no dia do anúncio do tarifaço dá sinais de que nem todo mundo se surpreendeu. E teve quem ganhasse muito dinheiro com ele.


Guarde esse horário: 16h17. Dia 9 de julho. Foi o horário exato em que o presidente americano, Donald Trump, publicou a carta nas redes sociais em que anuncia tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros. Mesmo os assessores próximos foram pegos de surpresa. Mas não todo mundo.


O gráfico mostra a cotação do dólar em relação ao real no dia 9 de julho. Vamos direto para o horário do anúncio: 16h17. Nesse momento, muita gente começa a comprar dólar e vender real. A moeda americana valoriza muito, passa dos R$ 5,58. Isso aqui era esperado: que muita gente fosse vender a nossa moeda para se proteger da desvalorização dela.


O que não era esperado era o seguinte. Vamos voltar um pouquinho no tempo. Você está vendo que, durante o dia inteiro, a cotação oscila dentro da normalidade? Só que, quando chega às 13h30, alguém compra uma quantidade enorme de dólares apostando contra o real. "US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões", afirma Spencer Hakimian, dono de um fundo de investimentos em Nova York. Ele acompanha o mercado financeiro em tempo real para fazer lucro para os clientes dele e disse que um salto como esse que a gente vê às 13h30, tão abrupto, foi causado por alguém que disse: "Eu quero fazer a transação rápido e não quero que ninguém veja”.


Ou seja, de acordo com Spencer, alguém comprou de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões às 13h30, a R$ 5,46. E aí, dois minutos depois do anúncio, vendeu a R$ 5,60 - quase a mesma quantidade. A gente consegue ver isso no gráfico porque uma quantidade é muito parecida com a comprada às 13h30. Spencer diz que essa aposta pode ter rendido de 40 a 50% do investimento em três horas.


A pergunta é: como uma pessoa poderia ter tanta certeza de que viria, naquela tarde, uma política econômica que desvalorizaria o real para fazer uma aposta tão grande? Spencer defende que as tarifas sobre o Brasil não fazem sentido econômico, porque os Estados Unidos vendem mais para a gente do que compram. Ele explica: "Não é o padrão normal das transações com o real naquele dia. Então, pode ter sido qualquer um que sabia desde o começo. E vamos ter que esperar para ver quem realmente foi”.


O caso do Brasil não é isolado. O mesmo aconteceu quando Trump anunciou tarifas contra a África do Sul. A aposta foi grande na desvalorização da moeda sul-africana minutos antes do anúncio. A mesma coisa pouco antes de Trump anunciar tarifas contra a União Europeia. A mesma coisa antes de ele anunciar tarifas contra o México e o Canadá. No dia 9 de abril, às 9h37, Donald Trump postou nas redes sociais: "É uma hora excelente pra comprar!”.


Às 13h18, ele anunciou uma pausa de 90 dias sobre todas as tarifas, e a bolsa subiu. Quem comprou lá na hora do post ganhou dinheiro. Trump recebeu bilionários donos de fundos de investimentos na Casa Branca e comentou que, por causa desse movimento de mercado, eles ganharam, juntos, mais de US$ 3 bilhões.


Esse caso acendeu o alerta da oposição no Congresso. Parlamentares democratas afirmaram que pessoas próximas a Trump podiam estar usando informações privilegiadas para benefício próprio no mercado financeiro. Pediram uma investigação, mas, com a oposição sendo minoria na Câmara e no Congresso, nenhum inquérito foi para frente.


A imprensa americana relatou a preocupação dos deputados e senadores com essas possíveis operações ilegais. O jornal “The New York Times” levantou a questão: "Teria Trump manipulado o mercado financeiro?". A Casa Branca negou que tenha havido algum tipo de favorecimento.


Mas Trump está consciente de que as ações dele têm impacto imediato no mercado. Não dá para saber quem foi a pessoa, ou as pessoas, que apostaram bilhões na desvalorização do real antes do anúncio oficial. Nem nos casos semelhantes, das tarifas a outros países. Porque só os órgãos reguladores e os grandes bancos têm acesso a essa informação. Por isso, é difícil provar a origem dessas movimentações.


Só que fazer transações financeiras com informação privilegiada é crime. O professor Paul Johnson é diretor do Centro de Análises de Segurança Global da Fordham University. Ele atendeu o Jornal Nacional no intervalo de uma reunião na Bolsa de Valores Nasdaq. Ele afirma que a transação feita no dia do anúncio das tarifas ao Brasil foi de alguém que sabia o que iria acontecer mais tarde. E mais: sabia o que fazer com a informação, como fazer a transação e a hora certa de desfazê-la.


Ele afirma que a chance de haver uma investigação sobre o caso é mínima, porque, se a transação foi feita por alguém ligado ao governo ou ao Congresso, ninguém investiga. Porque os responsáveis por uma investigação sobre isso seriam o Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Mobiliários e Câmbio dos Estados Unidos. Ambos ligados ao governo federal, portanto, sob controle de Donald Trump.


O Jornal Nacional pergunta a Spencer se ele acredita que possa haver uma investigação sobre quem está ganhando tanto dinheiro com o anúncio das tarifas. Ele disse que deveria haver uma investigação, mas que duvida que isso aconteça, porque Trump demitiria qualquer um que liderasse essa iniciativa. O que ninguém discorda é que a instabilidade pode ser muito boa para poucos eleitos.




Fonte: G1 - Jornal Nacional

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