CPMI do INSS: relator poupa ex-ministro bolsonarista e blindagem da direita gera críticas
16/09/25
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Deputados e senadores bolsonaristas recuaram em requerimentos que poderiam atingir aliados

A semana foi marcada por novos desdobramentos da CPMI do INSS, que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas em todo o Brasil. Enquanto a Polícia Federal deflagrou a Operação Cambota — prendendo o empresário Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” — o trabalho parlamentar da comissão expôs contradições e alinhamentos políticos que levantam questionamentos sobre a real disposição de enfrentar os responsáveis pelo esquema.
Relator em xeque
O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI, adotou postura dura e pouco cordial em relação Patrícia Bettin Chaves, da Defensoria Pública da União (DPU), e Eliane Veiga Mota, diretora de Auditoria de Previdência e Benefícios da Controladoria-Geral da União (CGU), que prestaram depoimento na comissão.
Porém, quando o ex-ministro da Previdência e ex-presidente do INSS no governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, apontado como figura central do esquema, foi chamado a depor, a conduta mudou: Gaspar fez perguntas superficiais e evitou confrontá-lo com provas e contradições levantadas pelos deputados e senadores da base do governo.
A diferença de tratamento gerou críticas de parlamentares governistas, como o senador Fabiano Contarato (PT-ES), Paulo Pimenta (PT-RS), Leila do Vôlei (PDT-DF) que denunciaram a condescendência diante de um dos principais nomes ligados às fraudes.
Blindagem aos fraudadores do INSS
A blindagem não partiu apenas do relator. Deputados e senadores bolsonaristas recuaram em requerimentos que poderiam atingir aliados. Bia Kicis (PL-DF) e Izalci Lucas (PL-DF) retiraram pedidos de convocação e quebra de sigilo do advogado Nelson Willians, investigado pela Polícia Federal e alvo de busca e apreensão em seu escritório. Nenhum dos dois justificou a mudança de posição.
Willians, conhecido por ostentar vida de luxo, segue sendo alvo de outros requerimentos da comissão, apresentados por parlamentares governistas e também pelo próprio relator. A PF apura sua ligação com Camisotti e transações financeiras suspeitas.
A disputa política
Para o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a CPMI revelou que as fraudes não foram coincidência, mas “parte de um esquema criminoso que lesou aposentados e idosos em todo o Brasil”. Em suas redes sociais, afirmou que Oliveira “não conseguiu sustentar suas contradições” e que o caso é mais um retrato da “herança de corrupção deixada pelo bolsonarismo”.
Já a extrema-direita tenta deslocar a narrativa, produzindo vídeos e versões fantasiosas para associar o caso ao governo Lula. Contudo, os dados levantados pela PF e pela própria comissão mostram que os atos fraudulentos ocorreram entre 2019 e 2024, atingindo em cheio a gestão Bolsonaro.
Com prejuízo estimado em mais de R$ 6 bilhões, a investigação da CPMI tornou-se também palco de disputa política. De um lado, governistas insistem em apontar os responsáveis do governo anterior; de outro, bolsonaristas tentam desviar o foco. No centro da polêmica, o relator Alfredo Gaspar, cuja atuação seletiva ameaça comprometer a credibilidade dos trabalhos.
Fonte: 082 Notícias
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