Esquema bilionário de corrupção na Sefaz de São Paulo leva a prisão do dono da Ultrafarma
13/08/25
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Operação desarticulou esquema envolvendo auditores-fiscais paulistas

O empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, foi preso temporariamente nesta terça-feira (12/08) em São Paulo, alvo da Operação Ícaro. A investigação do Ministério Público aponta um esquema bilionário de corrupção e fraude tributária que teria manipulado ressarcimentos de créditos de ICMS para beneficiar empresas em troca de propina.
A BBC News Brasil solicitou um posicionamento da Ultrafarma sobre a prisão de seu fundador, Sidney Oliveira, mas não havia recebido resposta até a publicação desta reportagem. Caso a empresa se manifeste, a informação será atualizada.
O fundador da Ultrafarma foi detido em uma ação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra um esquema de corrupção que, segundo a investigação, envolve auditores-fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.
De acordo com a Agência Brasil, o grupo é acusado de manipular processos para facilitar o ressarcimento de créditos de ICMS a empresas varejistas, cobrando propina para acelerar e aumentar os valores liberados. O esquema, que teria começado em 2021, teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em vantagens ilícitas.
Segundo o MP-SP, há e-mails recentes que mostram que o esquema seguia ativo até maio e junho de 2025, com o auditor Artur Gomes da Silva Neto prestando serviços ilícitos para a Ultrafarma com o consentimento de Sidney.
A Agência Brasil informa que Artur, apontado como o "cérebro" da fraude, coletava documentos, solicitava o ressarcimento dos créditos e ele próprio aprovava os pedidos, evitando revisões.
Em alguns casos, os valores liberados eram maiores do que o permitido e pagos em prazos reduzidos. Também foram encontrados registros de pagamentos milionários de empresas para uma firma de fachada no nome da mãe de Artur, além da apreensão de dinheiro vivo, esmeraldas e criptomoedas.
Artur Gomes da Silva Neto é um auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Ele é investigado por fraudes na quitação de créditos de ICMS para empresas como Ultrafarma e Fast Shop. Segundo o Ministério Público de São Paulo, Artur Gomes da Silva Neto manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários de empresas em troca de propina.
Os pagamentos eram feitos por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe, a Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária, que não possui funcionários e é considerada uma companhia de fachada.
A prisão temporária, medida cautelar pré-processual, foi decretada porque a Justiça considerou haver risco de os investigados continuarem cometendo crimes, destruírem provas ou intimidarem testemunhas. O MP-SP aponta que eles ocupam cargos de grande influência, o que poderia dificultar a cooperação de funcionários e outros envolvidos. Outro fator foi o risco de fuga, já que os acusados têm elevado poder financeiro e, no caso de Artur, histórico de viagens a paraísos fiscais.
Além de Sidney, foram detidos o diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, os auditores fiscais Artur Gomes da Silva Neto e Marcelo de Almeida Gouveia, e duas contadoras que auxiliavam na operação fraudulenta.
Fonte: G1
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