Filho alertou sobre violência de major seis meses antes da tragédia em Maceió
10/06/25
By:
Vital News
Pedro Silva fez cinco pessoas reféns e assassinou o filho caçula, Pierre Victor, de apenas 10 anos, e o ex-cunhado

Seis meses antes de protagonizar um crime que abalou Maceió, o major reformado da Polícia Militar de Alagoas, Pedro Silva, de 58 anos, já havia sido denunciado pelo próprio filho, Pablo Victor Pereira Silva. Em entrevista ao Jornal de Alagoas, Pablo relatou um histórico de agressões contra sua mãe, Valquíria Pereira do Senna Silva, e fez um apelo às autoridades para que o pai permanecesse preso, temendo represálias.
A tragédia aconteceu na noite do último sábado (7), quando Pedro invadiu a residência da ex-companheira, no bairro do Prado, fez cinco pessoas reféns e assassinou o filho caçula, Pierre Victor, de apenas 10 anos, e o ex-cunhado, Altamir Moura Galvão de Lima, de 61 anos, sargento reformado da PM. O sequestro terminou com a intervenção da polícia, que resultou na morte do major.
O alerta feito por Pablo em janeiro deste ano, logo após a prisão do pai, já evidenciava a gravidade da situação. “Peço que as autoridades não permitam que ele use sua influência como militar para ser solto. Ele já ameaçou minha família de morte inúmeras vezes. Não é justo que um homem que agride uma mulher por 20 anos fique impune”, declarou o filho à época.
Pablo também revelou o medo que sentia desde a infância, ao presenciar os abusos. “Quando eu tinha 10 anos, vi meu pai colocar fogo nas roupas da minha mãe no quintal. Aos 12, ouvi gritos dela e a encontrei com marcas de agressão e cabelos arrancados. Chamei a polícia, mas nada foi feito por ele ser militar. Desde criança, eu tinha medo de denunciá-lo, temendo por nossas vidas”, afirmou.
Além das agressões físicas, Pedro ameaçava matar Valquíria caso as denúncias avançassem. Segundo Pablo, o pai mantinha armas em casa e as utilizava para intimidar os familiares.
Prisão e fuga
No dia 10 de janeiro, Pedro Silva foi preso após agredir Valquíria e ameaçar familiares em Palmeira dos Índios. Com hematomas visíveis no rosto, ela denunciou o caso, que resultou na detenção do major com base na Lei Maria da Penha. A audiência de custódia aconteceu três dias depois, com a decretação da prisão preventiva.
No entanto, no dia 7 de junho, Pedro fugiu da Academia Militar — onde estava detido — e invadiu a casa da ex-companheira. Ele manteve como reféns Valquíria, os irmãos dela e dois filhos pequenos, de 2 e 10 anos. As negociações com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) contaram com o apoio da filha mais velha do major, de 32 anos.
A ação terminou de forma trágica, com a morte do menino Pierre e do sargento reformado Altamir. O próprio Pedro também foi morto durante a intervenção da polícia. As autoridades agora investigam como se deu a fuga do militar da unidade onde estava preso e os detalhes da dinâmica do crime dentro da residência.
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