Inovação: produção de camarão em água salobra transforma o Semiárido
19/04/25
By:
Redação
Com apoio da FAO, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Sebrae, pequenos produtores alagoanos recebem assistência técnica

No Semiárido brasileiro, onde a seca e a escassez de água são históricas, uma nova atividade vem mudando o cenário rural. Famílias do Agreste de Alagoas apostam na criação de camarão em água salobra para gerar renda e melhorar de vida.
Com apoio da FAO, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e do Sebrae, pequenos produtores alagoanos recebem assistência técnica. Em geral, o projeto oferece ferramentas digitais para monitorar e melhorar a produção, além de formações sobre associativismo e cooperativismo. Atualmente, a iniciativa atende seis municípios do interior alagoano, um dos estados mais pobres do Brasil. O objetivo é fortalecer a aquicultura local e incentivar o uso sustentável dos recursos disponíveis.
O Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de tilápia no mundo. A maior parte da produção ocorre no Sul, impulsionada por cooperativas. Agora, o projeto quer replicar esse modelo no Nordeste, com foco na carcinicultura.
Em Alagoas, a água salobra antes vista como obstáculo se tornou fonte de renda. Como resultado, a produção de camarão marinho cresceu de 435 toneladas em 2018 para 1,6 mil toneladas em 2023.
A produtora rural Rejane Madalena de Alcântara viu a vida mudar com a união familiar. Junto aos oito irmãos, transformou a antiga fazenda do pai em polo de produção de camarão.
Tudo começou em 2018, quando um dos irmãos, professor da rede pública, ouviu sobre os resultados da carcinicultura na região. Ele investiu parte do salário nos primeiros viveiros. O sucesso inicial motivou os demais irmãos, que construíram 29 tanques no terreno da família.
Hoje, cada irmão administra seu próprio açude. Além disso, os sobrinhos também participam do processo, formando uma rede intergeracional de trabalho. Todos integram a Associação dos Criadores de Camarão de Alagoas.
“Já conseguimos pagar nosso irmão e ainda temos lucro”, comemora Rejane. Ela usa os R$ 3 mil mensais da produção para custear as despesas da casa e o tratamento do filho autista. “Começamos com dificuldade, mas com apoio técnico e esforço, aumentamos a produtividade.”
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