Militares indígenas unem suas raízes culturais ao serviço policial em Palmeira dos Índios
20/04/25
By:
Redação
Na Polícia Militar de Alagoas, eles também estão presentes e, mantendo suas tradições, atuam em defesa da sociedade

No dia 19 de abril é celebrado o Dia dos Povos Indígenas. A data representa uma exaltação da diversidade cultural, contribui para a preservação da história, mas também serve como um momento de reflexão sobre a luta contra o preconceito e pela manutenção dos direitos dos indígenas no Brasil. Na Polícia Militar de Alagoas, eles também estão presentes e, mantendo suas tradições, atuam em defesa da sociedade, servindo e protegendo a população.
As soldados e irmãs Simone Mendes e Silvânia Mendes ingressaram na corporação no ano de 2020, enquanto o soldado Marcelo Gomes foi incorporado em 2023. Os três indígenas servem no 10º Batalhão da Polícia Militar, localizado na cidade de Palmeira dos Índios, onde também estão suas comunidades de origem – as aldeias Fazenda Canto e Mata da Cafurna, ambas da etnia Xukuru-Kariri.
Neste mês de abril, a Diretoria de Comunicação da PM foi até a cidade do agreste alagoano para vivenciar um dia na aldeia e conhecer de perto as tradições e a história dos policiais indígenas alagoanos. A equipe foi recebida com uma apresentação do tradicional Toré, um ritual sagrado para os povos indígenas, baseado em uma dança circular, com cantos e espiritualidade, que une a aldeia.
As irmãs indígenas que instituíram o Proerd em Palmeira dos Índios
Em 2024, a soldado Simone atuava como auxiliar de planejamento no 10º BPM e a soldado Silvânia desenvolvia suas atividades na área de trânsito da Unidade, quando foram convidadas para instituir as aulas do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) em seis escolas indígenas da zona rural de Palmeira dos Índios, localizadas nas aldeias Fazenda Canto, Coité Kandaú, Mata da Cafurna, Mãe Indígena Serra do Capela, Serra do Amaro e Boqueirão. Atualmente, as irmãs moram na zona urbana de Palmeira dos Índios, mas frequentemente visitam seus pais que continuam residindo na aldeia.
Após receberem a capacitação no Curso de Instrutor Proerd da Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE), elas iniciaram as atividades, percorrendo as escolas localizadas nas aldeias. Por meio de cartazes, conferências e palestras sobre cidadania, combate às drogas e ao bullying, entre outras temáticas, elas foram disseminando os conteúdos do Currículo Proerd entre a população indígena das turmas do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental, bem como das turmas do Ensino Médio.
As atividades foram desenvolvidas, inicialmente, na zona rural de Palmeira dos Índios, migrando em seguida para escolas da zona urbana, estendendo-se, ainda, a algumas escolas de cidades próximas, como Igaci e Estrela de Alagoas. Todo o trabalho durou quatro meses e culminou com a formatura no final do ano de 2024. O planejamento para 2025 deverá beneficiar mais escolas da região, já tendo sido confirmados alguns encontros.
Para a soldado Simone, o desafio foi grande. “O fato de sermos indígenas facilitou bastante o nosso ingresso nas escolas. No entanto, as distâncias, as diversas idas às aldeias, o acesso que muitas vezes era difícil, os períodos chuvosos, tudo foi bastante desafiador. Mas precisávamos cumprir a missão e, para nós, disseminar a cultura de paz do Proerd entre o nosso povo era o nosso principal objetivo, que foi alcançado”, ressaltou.
A soldado Silvania destacou que as aulas sempre perpassavam pelo respeito à cultura e tradição. “Trazíamos novos conteúdos, novas temáticas, mas não deixávamos de ressaltar o quanto precisávamos ser fiéis às nossas origens e, em cada encontro, buscávamos uma forma de atrelar aquele conteúdo à nossa realidade”, enfatizou.
“Queríamos ensinar para aquelas crianças que podemos ir em busca do novo, crescer, evoluir, correr atrás dos nossos sonhos, mas sem esquecer quem somos. Eu ingressei na Polícia Militar, mas jamais deixarei de ser indígena. Em primeiro lugar, eu sou xucuru-kariri”, pontuou.
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