Mino Carta morre aos 91 anos
02/09/25
By:
Redação
Carta foi um jornalista que revolucionou a imprensa brasileira

Morreu nesta terça-feira (2), em São Paulo, aos 91 anos, o jornalista Mino Carta, fundador das revistas Veja, IstoÉ e CartaCapital. Internado no Hospital Sírio-Libanês, ele enfrentava problemas de saúde há cerca de um ano. Sua morte marca o fim de uma trajetória que transformou o jornalismo no Brasil.
Nascido em Gênova, em 1933, e radicado no país desde a infância, Mino construiu uma carreira pautada pela ousadia editorial e pela defesa intransigente da independência jornalística. Com espírito crítico e visão cultural ampla, tornou-se referência para gerações de profissionais.
A trajetória de Mino Carta se confunde com a história do jornalismo contemporâneo brasileiro. Aos 27 anos, aceitou o convite de Victor Civita para dirigir a recém-criada revista Quatro Rodas, da Editora Abril, mesmo sem saber dirigir nem diferenciar um Volkswagen de uma Mercedes, como costumava brincar. Descobriria ali o talento para criar e comandar algumas das publicações mais icônicas e influentes do país.
Em 1966, integrou a equipe fundadora do Jornal da Tarde, reconhecido pela modernidade gráfica e pela qualidade literária das reportagens, que inspiraram gerações de jornalistas. Dois anos depois, em 1968, lançaria a revista Veja, marco da imprensa brasileira.
Nos anos seguintes, seguiram-se projetos ousados: a revista IstoÉ (1976), que consolidou sua importância no cenário editorial, e o Jornal da República (1979), criado em parceria com o amigo e mentor Cláudio Abramo, inspirado pelos ventos da abertura política. Mesmo considerado seu maior fracasso, o diário entrou para a história como símbolo de uma tentativa ousada de renovar a imprensa inspirado pelos ventos da abertura política, é um marco do jornalismo.
Seu último grande projeto foi a revista CartaCapital, fundada em 1994. Sob sua direção, a publicação tornou-se espaço de resistência no jornalismo brasileiro, marcada por uma linha editorial progressista, crítica ao neoliberalismo e atenta às contradições do poder. Durante três décadas, Mino conduziu a revista ao lado de colaboradores e familiares, entre eles os filhos, que assumiram responsabilidades na gestão e na redação, dando continuidade a uma tradição de jornalismo independente.
Além do jornalismo, dedicou-se à literatura e à pintura, revelando a dimensão múltipla de um homem que não se contentava com o silêncio. Deixa esposa, filhos, netos e um legado que ultrapassa a memória pessoal: a lembrança de que informar é resistir, e resistir é nunca se curvar.
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