Moraes chama Bolsonaro de mentiroso: golpistas do 8/1 “não eram velhinhas com a Bíblia na mão”
26/03/25
By:
Redação
Ministro relator rebateu argumentos das defesas dos denunciados, no julgamento da Primeira Turma do STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraesrebateu a narrativa propagada por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) de que os condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 seriam apenas “velhinhas com a Bíblia na mão”, classificando-a como “totalmente inverídica”.
A fala, ocorrida durante o julgamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) pela tentativa de golpe de Estado, ocorreu na presença do próprio Bolsonaro, que acompanhava o julgamento, e se tornou viral nas redes sociais. Segundo Moraes, os dados desmentem essa versão romantizada dos eventos.
O magistrado apresentou números concretos: dos 497 condenados pelos atos de 8 de janeiro, apenas 7 (2%) tinham entre 70 e 75 anos, e 36 (7%) estavam na faixa de 60 a 69 anos. Além disso, em termos de gênero, 68% eram homens (337) e 32% mulheres (160), o que contradiz a ideia de uma maioria composta por idosas inofensivas.
“Essa narrativa que se criou, e se repete, através de notícias fraudulentas, pelas redes sociais, fake news, de que são só mulheres e mulheres idosas, é totalmente mentirosa”, enfatizou o ministro, que reforçou que os envolvidos não estavam “passeando num domingo ensolarado” pelos Três Poderes, mas sim participando de ações violentas contra a democracia.
Moraes enfatizou que essa versão dos fatos não corresponde à realidade dos acontecimentos, quando manifestantes invadiram e depredaram os prédios doSTF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto. O ministro comparou a narrativa a teorias conspiratórias, como a da “Terra Plana”.
Nas redes sociais, foram registradas reações, como a da vereadora do Recife, Liana Cirne (PT), comemorando a fala de Moraes. Ela exaltou o termo “terraplanismo” na argumentação do ministro.
A narrativa das “velhinhas com a Bíblia” havia sido utilizada por apoiadores de Bolsonaro para minimizar a gravidade dos atos de 8 de janeiro, sugerindo que os participantes eram cidadãos comuns e pacíficos, muitas vezes ligados a valores cristãos conservadores defendidos pelo ex-presidente.
A desmistificação de Moraes, respaldada por dados, reforça a tese de que os eventos envolveram indivíduos engajados em ações coordenadas e violentas, alinhadas à tentativa de subverter o resultado das eleições de 2022.
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