O Legado de Fernando Henrique Cardoso: Reflexões sobre sua trajetória política e intelectual
19/06/23
By:
IA Redação
Da sociologia à presidência: o percurso de um líder comprometido com o desenvolvimento e a inclusão social do Brasil

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil, completou 92 anos hoje, e isso nos permite refletir sobre seu legado na política e nas instituições brasileiras. Durante sua presidência, ele implementou políticas sociais inclusivas no país, e apesar de ter cometido erros, os acertos foram muito mais numerosos, especialmente considerando os acontecimentos dos últimos 15 anos.
Fernando Henrique reconhece que foi um "presidente acidental", embora sempre tenha sido habilidoso na política, desde seus tempos de faculdade, onde demonstrava uma capacidade surpreendente de persuadir e provocar seus interlocutores.
Seus principais trabalhos acadêmicos sempre trataram das peculiaridades do Brasil, desde seu tempo como assistente de Florestan Fernandes, quando estudaram mobilidade social e raça no Brasil meridional. Na Universidade de São Paulo (USP) nos anos 1950, havia uma valorização da pesquisa aplicada e da análise de arquivos e dados sociais com um rigor raro na época. FHC teve a oportunidade de trabalhar com renomados intelectuais, como Fernand Braudel e Roger Bastide, além de historiadores brasileiros, como Alice Canabrava.
Devido à perseguição da ditadura, Fernando Henrique teve que se exilar. Foi nesse período que ele escreveu o clássico sobre a dependência da América Latina, em parceria com Enzo Falleto, questionando as visões convencionais sobre as relações entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos, ou entre centro e periferia. O livro argumentava que era possível superar o atraso adotando políticas públicas que impulsionassem a economia doméstica. Assim, já nessa época, ele unia seu papel de sociólogo ao de político.
No exterior, Fernando Henrique continuou escrevendo sobre o Brasil, especialmente em artigos que buscavam compreender a relação peculiar entre o Estado e o setor privado em nosso país. Um de seus amigos, Luciano Martins, escreveu um livro importante sobre o tema: "Estado Capitalista e Burocracia no Brasil pós-64". FHC nem sempre acertou em suas posições. Nos anos 1970, Carlos Langoni publicou dois livros que destacavam a importância da educação para analisar a desigualdade de renda no Brasil, utilizando microdados com um rigor e cuidado talvez inéditos no país.
As polêmicas geradas pelos livros foram amplificadas pelas circunstâncias da época, pois concordar com as conclusões parecia eximir a política econômica de sua responsabilidade na desigualdade, o que era uma interpretação equivocada. No entanto, FHC acabou criticando os trabalhos de Langoni sem o mesmo rigor acadêmico que havia aprendido na USP, cedendo ao embate polarizado e superficial da época.
Podemos discordar de algumas escolhas de FHC aqui e ali, mas devemos reconhecer sua impressionante capacidade de reconhecer erros e corrigi-los. Durante seu primeiro mandato, a universalização da educação tornou-se uma prioridade. Isso faz parte de uma história que deve ser contada em maior detalhe: a revolução na política pública.
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