Parceria entre pesquisadores e comunidades protege mangues na Amazônia
20/06/25
By:
Agência Brasil
Ecossistemas retiram três vezes mais carbono da atmosfera que floresta

Um dos grandes riscos para o manguezal são as mudanças climáticas e a consequente redução de chuvas no local, de acordo com o professor do Instituto de Estudos Costeiros da UFPA Hudson Silva que, no Mangues da Amazônia, é responsável pelo monitoramento das emissões dos gases.
“Se você tem redução nas chuvas, as áreas que se beneficiam dessa condição de alagado para funcionar como sumidouro começam a perder essa função. O solo começa a ser aerado, o oxigênio começa a entrar mais para esse solo, e o processo de decomposição começa a jogar mais gás carbônico para fora”, diz.
Os impactos já são sentidos. Segundo Silva, a taxa de precipitação na região, que chegava a 3 mil milímetros (mm) por ano, atualmente chega a 2 mil mm.
Fernandes complementa que a extinção dos mangues na região pode gerar consequências catastróficas, não apenas locais, mas impactando toda a costa, com avanço do mar e alagamento de regiões costeiras.
"A região amazônica tem um estoque enorme de carbono, então, se a gente corta ou perde esse ambiente, a gente vai jogar isso para fora. É como se você liberasse uma bomba de carbono para o ambiente”, diz. “E tem um efeito nacional absurdo na nossa costa, um efeito que vai ser também para toda a floresta. Se a gente tira o manguezal, tira a proteção costeira”.
Mangues da Amazônia
O Mangues da Amazônia nasce a partir do trabalho de estudo e conservação de manguezais feito no Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da UFPA, em Bragança. O projeto, patrocinado pela Petrobras, está no segundo ciclo de execução.
O primeiro foi entre 2021 e 2022, quando foram recuperados 14 hectares de mangue. O segundo ciclo começou em 2024 e segue até 2026, com a meta de reflorestar mais 17 hectares.
O projeto é parte do Programa Petrobras Socioambiental, que patrocina 160 projetos em todo o país, com um investimento previsto de R$ 1,5 bilhão até 2029. De acordo com a gerente de Direitos Humanos da Gerência Executiva de Responsabilidade Social da Petrobras, Sue Wolter, o Mangues é um dos projetos com maior retorno, tanto ambiental, quanto social. A cada R$ 1 investido pela Petrobras, o retorno estimado para a sociedade é de R$ 7.
“O objetivo do Programa Petrobras Socioambiental é implantar os projetos buscando transformação social. Levar valor para a sociedade, para os territórios onde a gente está e, ao mesmo tempo, isso é um valor para a companhia. A gente entende que como uma empresa estatal brasileira, a gente tem uma função social e essa função social é ajudar esse processo de transformação de desenvolvimento”, diz.
*A equipe da Agência Brasil viajou à Bragança entre os dias 11 e 14 de junho para conhecer o projeto Mangues da Amazônia, a convite da Petrobras, patrocinadora do projeto.
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