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Política monetária e juros altos geram ciclo vicioso que desacelera economia

25/09/25

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Opinião é do economista Pedro Paulo Bastos, que critica aspectos como a baixa meta de inflação e a contradição contida no argumento de que o arcabouço fiscal permitiria reduzir os juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou, na terça-feira (23), a ata em que detalha os motivos para a manutenção dos juros em 15%, tomada na semana passada. Para Pedro Paulo Bastos, professor do Instituto de Economia da Unicamp, o quadro atual acaba gerando um “ciclo vicioso que, claramente, está tendo efeitos de desaceleração da economia brasileira”.


Segundo a ata do Copom, após uma fase de “firme elevação de juros”, o Comitê optou por “interromper o ciclo e avaliar os impactos acumulados”. Além disso, apontou que deverá manter a taxa no patamar atual “por período bastante prolongado” para garantir que a meta inflacionária seja alcançada.


Entre os elementos motivadores da decisão, o documento aponta a conjuntura econômica dos Estados Unidos e as tarifas impostas pelo país. Do ponto de vista interno, argumenta que a “atividade econômica doméstica segue indicando certa moderação no crescimento”.


Ao mesmo tempo, acrescenta que estímulos fiscais ou de crédito ainda não se refletiram num quadro favorável à mudança desse cenário. “As pesquisas setoriais mensais e os dados mais tempestivos de consumo corroboram, em geral, o prosseguimento de uma redução gradual de crescimento”, argumenta o Copom.


Desacelaração do consumo e dos investimentos

Ao tratar da decisão, o professor Pedro Paulo Bastos lembra que há uma contradição importante entre o argumento de que o arcabouço fiscal permitiria reduzir taxa de juros e o que está acontecendo no país. “O arcabouço fiscal foi aprovado em 2023 e está funcionando desde 2024. Muito provavelmente, a meta de superávit vai ser cumprida e, a despeito disso, a taxa de juros continua muito alta. Então a justificativa do arcabouço fiscal não está propriamente valendo”.


Por outro lado, aponta, “o governo resolveu ter uma meta de inflação muito baixa; mantê-la, dada a existência de choques de custo, gera efeitos inflacionários grandes que a política de juros fica tentando compensar”. Ele completa dizendo que essa situação resulta “tanto do caráter austero do Banco Central quanto de determinadas decisões de política econômica como a definição da meta de inflação”.


Dentre os efeitos negativos dessa equação, ressaltados por Bastos, estão os impactos sobre o consumo das famílias e sobre os gastos em construção e investimento. “No segundo trimestre de 2025, por exemplo, o investimento caiu 2,2%. E o consumo das famílias desacelerou a despeito do emprego estar elevado e do fato de que continua havendo transferência de renda”.


Ele lembra que “no quarto trimestre de 2024, a expansão do consumo em relação ao mesmo período do ano anterior tinha sido de 3,7%; no primeiro trimestre deste ano, foi de 2,6% e no segundo trimestre, 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior”.


Dívida pública

Outro efeito problemático ponderado pelo professor diz respeito à dívida pública. “O custo dos juros em julho foi de R$ 109 bilhões contra ‘apenas’ R$ 80 bilhões — o que já era muita coisa — em julho de 2024. No acumulado de 12 meses, até julho deste ano, os juros nominais alcançaram R$ 941 bilhões, o que corresponde a 7,64% do PIB, contra R$ 869 bilhões, ou 7,63% do PIB, até julho de 2024”, pontua.


Portanto, explica, “o custo de quase R$ 1 trilhão está associado a essa política de juros muito elevados; e isso provoca um resultado nominal do setor público — que é os juros nominais mais o resultado primário — muito prejudicado por essa política monetária”.


Bastos acrescenta que no acumulado de 12 meses, o déficit nominal — que é igual ao custo de juros mais o resultado primário fiscal — alcançou R$ 968 bilhões, 7,86% do PIB, contra R$ 894 bilhões, 7,30% do PIB, em junho de 2025. Considerando esse quadro, boa parte do resultado nominal negativo do setor público “é explicado pelos juros apropriados, uma vez que o governo está praticamente alcançando um superávit fiscal primário”, afirma.


Dessa forma, o déficit nominal brasileiro figura entre um dos maiores do mundo, perto de 8% neste ano, frente a uma média em torno de 5% entre as economias emergentes. “Isso só pode ser explicado por essa política monetária muito ruim, que deixa a dívida pública muito elevada”, diz. Diante disso, e com a pressão do mercado financeiro, o BC reage aumentando a Selic e gerando um “ciclo vicioso que, claramente, está tendo efeitos de desaceleração da economia brasileira”.


Ele alerta que esse cenário é especialmente danoso, considerando que 2026 é ano eleitoral e que precisamos “garantir a democracia contra ataques fascistas”.





Fonte: 082 Notícias

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