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Trump propõe deslocamento permanente dos habitantes de Gaza

05/02/25

By:

Redação

Para especialistas, plano dos EUA configura limpeza étnica e crime de guerra, e ONU afirma que qualquer transferência forçada é 'estritamente proibida'

A proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de transferir à força milhares de palestinos para fora da Faixa de Gaza e desenvolvê-la como um destino turístico enfrenta grandes obstáculos.


Além da ampla rejeição da ideia por autoridades internacionais, os próprios palestinos deslocados durante os 15 meses de conflito do Hamas com Israel já afirmaram que desejam voltar às suas casas e não deixarão o território.


Os planos de Trump são vistos como uma violação do direito internacional, com especialistas falando em "limpeza étnica". Nesta quarta-feira (5), o Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou que "qualquer transferência forçada" de palestinos para fora de Gaza é "estritamente proibida".


A proposta também corre o risco de minar o cessar-fogo em Gaza e a libertação contínua de reféns. Trump reivindicou o crédito por intermediar a trégua, mas agora o futuro do acordo é incerto e pode colocar em risco a vida dos reféns israelenses ainda em poder do Hamas.


Apesar da repercussão negativa, alguns especialistas especulam sobre a possibilidade de que a proposta de Trump seja uma jogada inicial em um processo de negociação e uma "estratégia de barganha".


Luta palestina por território


Qualquer proposta de deslocamento é uma questão altamente sensível tanto para os palestinos quanto para os países árabes.


Desde que os combates se intensificaram na guerra entre o Hamas e Israel, os palestinos temiam sofrer outra "Nakba" - catástrofe em árabe -, como é chamado o momento em que 700 mil deles foram desalojados de suas casas durante a guerra que culminou na criação de Israel em 1948.


Muitos foram expulsos ou fugiram para Gaza, além de estados árabes vizinhos, como Jordânia, Síria e Líbano, onde ainda vivem em campos de refugiados. Israel contesta o relato de que eles foram forçados a sair.


O conflito mais recente, que, segundo dados do governo do Hamas, matou mais de 47 mil pessoas, provocou o deslocamento de até 85% da população de 2,3 milhões de palestinos que vivem em Gaza e devastou o território.


No entanto, mesmo em meio aos bombardeios, palestinos em fuga diziam que não deixariam o enclave mesmo que pudessem, porque temiam que isso pudesse levar a outro deslocamento permanente, uma repetição de 1948.


O Egito e outras nações árabes também se opõem veementemente à saída dos palestinos da Faixa de Gaza por temer que qualquer movimento em massa através da fronteira possa prejudicar ainda mais as perspectivas de uma "solução de dois Estados".


A criação de um Estado da Palestina ao lado de Israel - que incluiria Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, territórios que Israel capturou na Guerra do Oriente Médio de 1967 - é uma demanda antiga e é defendida por vários países, inclusive o Brasil.


Jon Alterman, um ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA que agora lidera o programa do Oriente Médio no Washington Center for Strategic and International Studies, acredita que os moradores de Gaza dificilmente deixarão a região voluntariamente:


“Muitos moradores de Gaza descendem de palestinos que fugiram de partes do atual Israel e nunca puderam retornar para suas casas anteriores. Estou cético de que muitos estariam dispostos a deixar até mesmo uma Gaza destruída. É difícil para mim imaginar um final feliz para uma reconstrução massiva de uma Gaza despovoada".


Rejeição internacional


A repercussão do anúncio de Trump sobre seus planos para Gaza, nesta terça, durante coletiva com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi imediata e, em grande parte, negativa.


O Escritório de Direitos Humanos da ONU afirmou que "qualquer transferência forçada" de palestinos para fora de Gaza é "estritamente proibida" e configuraria uma violação ao direito internacional.


O grupo extremista palestino Hamas, que comanda a Faixa de Gaza, também rejeitoucom veemência a fala do presidente americano e afirmou:


"A posição racista americana está alinhada com a da extrema direita israelense e consiste em deslocar o nosso povo e erradicar a nossa causa".


Mesmo Egito e Jordânia, aliados próximos dos EUA em paz com Israel, condenaram a ideia e descartaram a sugestão de Trump para o acolhimento de mais refugiados palestinos.


Eles temem que Israel nunca permita que os palestinos retornem e que um fluxo em massa de refugiados palestinos desestabilize a região.


O Egito já alertou que qualquer transferência em massa de palestinos para a Península do Sinai, na fronteira com Gaza, poderia prejudicar seu tratado de paz com Israel - um pilar da estabilidade regional e da influência americana por quase meio século.


Em comunicado oficial, a Arábia Saudita, envolvida há meses em negociações diplomáticas com o governo americano para se aliar a Israel e que recentemente anunciou um investimento de US$ 600 bilhões nos Estados Unidos, rejeitou qualquer tentativa de expulsar os palestinos de suas terras e disse que sua posição em relação ao tema "não é negociável".


A declaração reiterou comentários feitos em setembro pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, que disse que o país não normalizaria as relações com Israel sem a criação de um Estado palestino com Jerusalém Oriental como capital.


A Turquia chamou a proposta de "inaceitável". Algumas das críticas mais duras vieram da França, que disse que o deslocamento forçado de moradores de Gaza seria uma grave violação do direito internacional, um ataque às aspirações legítimas dos palestinos e desestabilizaria a região.


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