Verba da Saúde teria custeado pousada de luxo no litoral de Alagoas, aponta investigação da PF
20/12/25
By:
Redação
Imóvel milionário em Porto de Pedras teria sido comprado com recursos desviados do SUS e registrado em nome de familiar de gestor investigado

A Polícia Federal investiga a possível utilização de recursos públicos da saúde de Alagoas na aquisição de uma pousada de luxo no litoral norte do estado, em um desdobramento da Operação Estágio IV, que apura um esquema de desvio de verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) e lavagem de dinheiro. De acordo com as apurações, parte do dinheiro supostamente desviada dos cofres públicos teria sido usada na compra de um terreno de 3.800 m² onde funciona a Pousada Rancho Luar, em Porto de Pedras, avaliada em cerca de R$ 5,7 milhões. O imóvel foi registrado em nome de um familiar do então secretário de Estado da Saúde, Gustavo Pontes de Miranda, afastado do cargo por decisão judicial no âmbito da operação.
Investigação e sequestro de bens
Segundo o levantamento da Polícia Federal, parte das parcelas da compra teria sido quitada por terceiros, incluindo empresários que mantinham contratos com a Secretaria de Saúde e um assessor identificado como operador financeiro do suposto esquema de desvio. A investigação também busca indícios de crime tributário, já que o imóvel pode ter sido declarado à Receita Federal por um valor inferior ao de mercado. Atendendo a pedido da PF, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) determinou o sequestro da pousada, para impedir a dissipação de bens que possam ter sido adquiridos com recursos públicos desviados.
Contexto mais amplo da Operação Estágio IV
A descoberta da pousada milionária ocorre em meio à Operação Estágio IV, que apura desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) entre 2023 e 2025, que pode somar quase R$ 100 milhões. A investigação também apontou ressarcimentos superfaturados de procedimentos e consultas médicas, com prejuízo estimado em mais de R$ 18 milhões ao SUS. As diligências da PF já resultaram no cumprimento de dezenas de mandados de busca e apreensão em Alagoas, Pernambuco e Distrito Federal, bem como na apreensão de valores em espécie, joias e outros bens de alto valor, além do afastamento de gestores públicos relacionados aos fatos investigados.
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