Economista do Plano Real acusa juros por rombo fiscal
André Lara Resende diz que taxa Selic, e não gastos públicos, explica desequilíbrio nas contas

O economista André Lara Resende, que integrou a equipe responsável pelo Plano Real, publicou artigo em que atribui o desequilíbrio fiscal do país à taxa básica de juros, e não aos gastos públicos, como costuma apontar o Banco Central. Formado pela PUC-Rio e com PhD em economia pelo MIT, Lara Resende já foi diretor do Banco Central e presidiu o BNDES. O texto, intitulado "Eu Acuso: Uma Proposta para Eliminar os Juros Absurdos", foi publicado em sua coluna no Substack e ganhou destaque nos últimos dias.
Segundo o economista, o Brasil tem déficit fiscal primário pequeno, e a principal despesa do Estado está nos juros da dívida pública. Ele cita que os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão nos últimos 12 meses, equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB), e que a dívida pública saltou de cerca de 71,7% do PIB em 2022 para 82,9% em agosto deste ano. Lara Resende também questiona a relação entre desemprego e inflação usada para justificar a política monetária atual.
Proposta de novo regime
O economista defende um novo regime fiscal e monetário, com metas de juros e de resultado fiscal definidas em conjunto para um período de quatro a cinco anos. Nessa proposta, o Banco Central manteria a taxa básica entre a meta de inflação, de 3% ao ano, e o crescimento nominal potencial da economia. Ele afirma ainda que as reservas internacionais do país, acima de US$ 350 bilhões, seriam suficientes para conter oscilações mais fortes do câmbio sem depender de juros elevados.
O Banco Central não respondeu diretamente às críticas do economista. Em comunicados do Copom e na ata da última reunião, a autarquia atribui a manutenção dos juros altos a pressões inflacionárias ligadas ao aquecimento da economia e do mercado de trabalho, além dos déficits primários e da trajetória dos gastos públicos.
Com informações da Agência Brasil.
Leia também

Estudo da FGV questiona viabilidade da concessão do Ceasa
Deputado citou estudo da FGV que não aponta viabilidade econômico-financeira para a concessão do Ceasa de Alagoas, nos termos propostos.

Petrobras reajusta querosene de aviação em 7,2%
A Petrobras aumentou em 7,2% o preço do querosene de aviação vendido às distribuidoras, equivalente a R$ 0,45 por litro, desde este domingo.

Alagoas negocia financiamento de até US$ 80 milhões
Governo de Alagoas e Consórcio Nordeste dialogam com banco asiático sobre financiamento de até US$ 80 milhões para projetos ambientais.