Relatório da ONU liga mudança climática a mais mortes
Lancet Countdown 2026 aponta alta de óbitos por calor extremo antes da COP31

Um relatório divulgado antes da COP31 aponta que os impactos da crise climática sobre a saúde humana estão se acelerando em todo o mundo. O documento, chamado Lancet Countdown 2026, foi produzido por 146 especialistas de 71 instituições internacionais, em colaboração com entidades como a Fiocruz, e teve os resultados repercutidos pela ONU News nesta quarta-feira (28).
Segundo o relatório, as mortes anuais ligadas a altas temperaturas aumentaram cerca de 36% no período posterior ao Acordo de Paris, em comparação com a década anterior. Na América do Sul, os óbitos anuais por ondas de calor mais que dobraram e já superam 13 mil por ano.
Impactos registrados no Brasil
No Brasil, os óbitos ligados ao calor extremo quadruplicaram em relação à década de 1990. O relatório estima uma perda potencial de 6,7 bilhões de horas de trabalho ao ar livre por ano, sobretudo na agricultura e na construção civil, prejuízo equivalente a cerca de US$ 17,7 bilhões anuais, ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O documento também relaciona queimadas na Amazônia e no Pantanal a milhares de mortes prematuras por poluição do ar, além da expansão do mosquito Aedes aegypti e de surtos recordes de dengue, chikungunya e zika.
Na Europa, o relatório atribui ao calor cerca de 62,7 mil mortes em 2024. Já na África Subsaariana, a seca crônica afeta a agricultura de subsistência e a malária avança para áreas de maior altitude. Os autores do estudo pedem que a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outros mecanismos da ONU reconheçam formalmente a mudança climática como uma emergência global de saúde pública.
Com informações da ONU News.
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