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A saída pela Democracia

  • Foto do escritor: Ivan Alves Filho
    Ivan Alves Filho
  • 25 de jan.
  • 2 min de leitura
Aos 73 anos de idade, tendo buscado participar da vida brasileira desde o final da década de 60, devo dizer que raramente estive tão preocupado com o meu país. 

Educação, saúde, malha viária, segurança pública, saneamento básico: os problemas se avolumam a cada dia e o descalabro administrativo parece ter se apoderado do Brasil. 

O que se vê hoje sobre a cena nacional são os escândalos tremendos de corrupção, os números alarmantes de violência ultrapassando todos os limites do convívio civilizado e a persistência de desigualdades que reduzem milhões de brasileiros à condição de párias modernos.

O Brasil - esta a minha sensação - parece caminhar para o desmoronamento a cada dia que passa. 
Mas, será que de fato estamos percebendo isto?

O mundo da política parece ter se rendido à mediocridade e à polarização, o país teimando em virar as costas a um projeto de nação. 

Como chegamos a esse ponto? O que houve exatamente conosco? O que aconteceu para que os nossos ensaístas, historiadores, críticos literários, compositores e arquitetos - para ficarmos apenas com alguns setores outrora tão representativos da nossa produção intelectual e artística - perdessem a sua dimensão pública, atuante?

Quando desaparece um Oscar Niemeyer, um Jorge Amado, um Érico Veríssimo, um Ferreira Gullar, um Nelson Werneck Sodré, uma Nise da Silveira, um Cândido Rondon, um Alceu Amoroso Lima, um Ariano Suassuna, um Nelson Pereira dos Santos, uma Eliseth Cardoso, um Milton Santos quem colocamos em seus lugares? Por onde passaram os seus herdeiros?

O mundo do trabalho em transformação, a questão ambiental, as carências da nossa Democracia e os impasses da nossa identidade cultural aí estão diante de nós. A sociedade civil precisa voltar a se organizar, submetendo o Estado a ela, oferecendo saídas compatíveis com a gravidade da situação. 
Talvez estejamos todos momentaneamente sem respostas. Mas temos que encontrá-las.

Mas uma certeza eu tenho: precisamos refundar o Brasil, enquanto dá tempo. As próximas eleições presidenciais, que representam um momento privilegiado da participação dos cidadãos, oferecem uma grande oportunidade para debater os problemas do país. Vamos agarrá-la.

*Ivan Alves Filho, historiador 

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