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Brasil mira oportunidades na COP28, em Dubai

  • Foto do escritor: Luiz Carlos Azedo
    Luiz Carlos Azedo
  • 29 de nov. de 2023
  • 4 min de leitura


O Brasil já passa por uma rápida expansão da geração de energia eólica e solar, porém a falta de investimentos e planejamento gera instabilidade no sistema energético

Cerca de 2,4 mil brasileiros deverão participar da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), em Dubai, das quais aproximadamente 400 formam a delegação do governo brasileiro. Com uma escala em Riad, capital da Arábia Saudita (cuja importância para o Brasil tem a ver com seu poder de investimento e papel nas negociações da guerra de Gaza), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está acompanhado de 12 ministros, entre os quais Marina Silva, do Meio Ambiente, uma das estrelas da COP28.

A realização da COP em Dubai, de 30 de novembro a 12 de dezembro, em si, é objeto de polêmica. Chega a ser irônico que o país-sede do evento tenha como principal negociador o presidente-executivo da empresa petrolífera estatal, Sultan al-Jaber. Petróleo, gás e carvão são vilões do clima, devido ao efeito estufa, uma das principais causas do aquecimento global, em consequência da grande liberação de dióxido de carbono na atmosfera. Com a guerra da Ucrânia e a implosão do gasoduto russo que abasteceria a Europa Ocidental, a petroleira expande sua produção, como as demais, inclusive a Petrobras.

Dubai é a maior cidade dos Emirados Árabes Unidos. Está localizada na costa leste da península Árabe e ao sul do Golfo Pérsico, sendo um case de modernização. O poder de atração que exerce está associado a suas belezas naturais, como as praias paradisíacas e o deserto, à cultura árabe em contraste com sua arquitetura futurista projetada para ser um grande centro financeiro e incrementar o turismo de negócios.
Os Emirados têm uma estratégia para sobreviver à ultrapassagem da economia do carbono em duas gerações. Por exemplo, Dubai planeja consumir 25% de energia de fontes renováveis em 2030 e 75% em 2050. Seus fundos de investimentos já são responsáveis por investimentos da ordem de US$ 20 bilhões em energias renováveis.

É interessante comparar o esforço dos Emirados Árabes de se preparar para o pós-petróleo com a política energética brasileira, cujas matrizes principais ainda são o petróleo e a energia hidroelétrica, mas tem enorme potencial para produção de energias alternativas. A COP28 é uma oportunidade de protagonismo mundial para o Brasil na questão ambiental.

Transição energética

O Brasil já passa por uma rápida expansão da geração de energia eólica e solar, porém a falta de investimentos e planejamento gera instabilidade no sistema nacional de transmissão de energia, como aconteceu em agosto com o apagão do Norte e do Nordeste, provocado por uma sobrecarga de energia solar e eólica no Ceará. Para superação do problema, a chave é o armazenamento de energia, que atrai grandes investimentos chineses, europeus e árabes para o setor. Segundo o empresário Márcio Toledo, presidente da Armazene, “é preciso regulamentar e fomentar o desenvolvimento do setor para aproveitar as oportunidades geradas pela energia limpa e o combustível (hidrogênio) verde, de forma sustentável, segura e comprometida socialmente”.

O mundo pressiona a indústria do petróleo e do gás a tomar medidas para expansão de tecnologias limpas, como a energia eólica e solar. Espera-se que a COP28 reitere o objetivo de limitar a 1,5ºC os aumentos de longo prazo da temperatura global, conforme o Acordo de Paris, de 2015, firmado por 220 países. Estima-se que o aquecimento do planeta chegará de 2,4°C a 2,7°C até 2100, agrava-se um problema que todos estão sentindo: os eventos extremos.

Na COP, as principais questões a serem debatidas são acelerar a mudança para fontes de energia limpas para “reduzir” as emissões de gases com efeito de estufa antes de 2030; distribuir recursos para a ações climáticas dos países mais ricos para os mais pobres e trabalhar num novo acordo para as nações em desenvolvimento; focar as políticas de desenvolvimento na natureza e nas pessoas, de forma mais inclusiva, principalmente na alimentação, na saúde e na renda.

Os grandes ausentes do encontro são o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente da China, Xi Jinping, mas o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, participará. O rei Charles, que sempre foi um ativista ambiental, fará o discurso de abertura aos delegados em 1º de dezembro. Com certeza, as contradições entre os governos e o movimento ambientalista emergirão com força, porque milhares de instituições ambientais, grupos comunitários, think tanks, empresas e grupos religiosos estarão representados no encontro.

O foco das tensões será o debate sobre o uso de combustíveis fósseis. Os países desenvolvidos, que se propunham a liderar a conversão energética, voltaram a queimar mais carvão, petróleo e gás sem investir em tecnologias para capturar as suas emissões na escala necessária. A COP27 aprovou a criação de um fundo de “perdas e danos” para os países mais ricos pagarem aos mais pobres, que enfrentam os efeitos das alterações climáticas. Mas até hoje nada se fez para efetivá-lo. Os EUA descartaram o pagamento de reparações climáticas pelas suas emissões históricas. Em 2009, os países desenvolvidos comprometeram-se a doar US$ 100 bilhões (R$ 490 bilhões) por ano, até 2020, aos países em desenvolvimento, para reduzir as emissões e se preparar para as alterações climáticas. A meta não foi atingida.

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