Crise Climática e Planejamento Urbano: O desafio da Qualidade de Vida nas Cidades Litorâneas
Regis Cavalcante
7 de fev.
2 min de leitura
A porca torce o rabo quando de repente parece que o mundo vai acabar de tanta chuva. O salgadinho transbordando com o lixo do Reginaldo flutuando. A Ponta Verde com suas ruas virando rio com muros desabando. A vida das cidades chamam para uma crise climática global e seus impactos nas cidades, especialmente nas litorâneas. Nenhum alarmismo, não, é a realidade crua que bate o Brasil dos pampas ao sertão, chamando atenção para o repetido cordão de tragédias que afetam os brasileiros.
O impacto desta confusão climática, bateu na porta neste início de 2025, naquela que é o destino turístico apreciado de milhares de brasileiros. Maceió, que enfrenta desafios agravados pela elevação do nível do mar, chuvas intensas e falta de infraestrutura adequada. Tudo isso reunido a crise climática bate na porta de todos e apresenta a conta com seus impactos, principalmente nas cidades litorâneas. O aquecimento global tem intensificado fenômenos como chuvas extremas, elevação do nível do mar e tempestades. Os efeitos desses fenômenos em cidades costeiras, resultam em inundações, erosão costeira e destruição da infraestrutura. Basta lembrar Porto Alegre, Recife e Maceió.
Claro, que o aquecimento global não é o único vilão, ou a falta de planejamento urbano secular também contribuiu para o caos urbano. A urbanização desordenada, como acontece no litoral norte da capital alagoana e em Milagres, com ocupação de áreas de riscos e a impermibialização do solo agravam os impactos das mudanças climáticas.
Todo este transtorno não vem do céu é coisa do homem por falta de políticas públicas eficazes para o desenvolvimento de uma cidade sustentável. Um modelo que sempre priorizou historicamente interesses econômicos em detrimento do meio ambiente e da qualidade de vida da população.
Maceió que se destaca por sua geografia peculiar (restinga entre a lagoa e o mar) e sem planejamento a torna especialmente vulnerável. O impacto de chuvas intensas nos bairros mais carentes, onde a infraestrutura é precária e os moradores são mais afetadas exige uma solução urgente para evitar o colapso da vida na cidade.
O que acontece na capital alagoana é feito da desconstrução urbana e a impermeabilização do solo, fator que reduz a capacidade de absorção de água e vem aumentando o risco de inundações. É urgente preservar áreas verdes, manguezais e outros ecossistemas naturais que funcionam como barreiras contra enchentes e erosão. Sem falar da criminosa especulação imobiliária e a ocupação de áreas ambientalmente sensíveis como exemplo a encosta do mirante São Gonçalo, ocupada pela ambição desmedida.
Repensar e tomar o caminho de uma cidade sustentável revisando o conceito urbanístico, com foco em uma Maceió mais resiliente e adaptada às mudanças climáticas, revitalizando áreas verdes, como o corredor Vera Arruda e criação de parques urbanos com a implementação de sistemas de drenagem sustentável. Por fim, políticas públicas que priorizem a habitação digna e a redução das desigualdades sócioespaciais.
Crise climática e a falta de planejamento urbano são problemas interligados que exigem soluções integradas. Nunca é tarde para enfatizar a urgência de repensar o modelo de desenvolvimento das cidades, com foco na sustentabilidade e na qualidade de vida dos moradores. Com planejamento e ações concretas, é possível reverter esse cenário e construir uma cidade mais justa e resiliente.
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