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Guerra de Lego

  • Foto do escritor: Paulo Siqueira
    Paulo Siqueira
  • há 6 dias
  • 2 min de leitura

"O sentimento de pertencimento, é o que permeia a nossa troca de afeto, e nos faz querer estar com o outro; ainda que o outro, não seja nosso igual, basta ter sentimentos.”

Rossane Correia


Na chamada terceira guerra do golfo, que se inicia com o bombardeio dos EUA e Israel ao Irã a partir do dia 28 de fevereiro de 2026, o Irã empreendeu a chamada guerra assimétrica, quando uma força, se reconhecendo muito inferior em termos militares e econômicos a outra força, utiliza recursos que contornem essa diferença pra conseguir o sucesso político/estratégico.


No campo da comunicação/propaganda, o Irã utilizou-se de recursos de inteligência artificial em larga escala para impor sua narrativa e posicionamento. O país criou diversas empresas de IA, com muito jovens, e entendeu a lógica dos algoritmos da redes sociais e canais de internet americanos e globais. Basicamente criaram perfis de publicação e outros de compartilhamento para que os algoritmos expusessem pra mais pessoas os conteúdos. Entre os conteúdos, um, que chamou bastante a atenção, foram as animações em estilo Lego, aquele brinquedo famoso de montar, que depois se tronou jogo digital, que não são bloqueados pelas ferramentas, têm alto apelo popular e trazem um apelo lúdico.


Do ponto de vista de posicionamento, o Irã se colocou como o defensor do momento de todos os povos agredidos e injustiçados pelo imperialismo americano, pode colocar aspas se preferir, mas é o posicionamento deles, além de se apresentar como o herdeiro de uma longa tradição civilizatória que vem dos antigos persas e da religião humanista islâmica. A narrativa é a da luta contra o imperialismo decadente, corrupto e degenerado, que inclusive oprime o próprio povo americano, além de se aliar ao sionismo, apresentado como uma sombra, ou o cerne do deep state mundial. O Objetivo do Irã foi reverberar dentro de seus apoiadores e franjas que mesmo que não o apóiem, se colocam contra imperialismo americano ou o sionismo, aproveitando as práticas agressivas e até criminosas do atual governo israelense nas guerras em Gaza e no Líbano, misturando e confundindo esse governo com o projeto do estado de Israel fundado em 1948, como também. sensibilizar as franjas das vertentes de esquerda, as populações e fiéis muçulmanos ou os nacionalistas nesse contexto de contraposição ao movimento de globalização desde o fim da segunda- guerra mundial e que está em crise.


Utilizando sensos comuns, preconceitos enraizados ao lado de críticas contundentes e justas, sensibiliza focos múltiplos de simpatizantes paracom isso, quebrar a espiral de silêncio e oferecer argumentos para que as pessoas se sintam apoiadas.


Quebrar a espiral de silêncio é um feito, do ponto de vista de propaganda importante, o ser humano, animal social, necessita se sentir apoiado, sentir que não está só em sua opinião e visão, quando isso acontece, o indivíduo se torna um difusor da sua narrativa e essa vai se espalhando pelas bolhas.

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