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O provável voo de galinha da esquerda colombiana

  • Foto do escritor: Bruno Soller
    Bruno Soller
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

A vitória de Gustavo Petro, ex-integrante da gerrilha M-19, foi um divisor de águas na política colombiana. O seu desafio, no entanto, é conseguir garantir uma sequência à esquerda, que corre sérios riscos de derrota nas eleições vindouras.

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, movido por esse ditado popular, Gustavo Petro insistiu tanto pela presidência da República da Colômbia, que depois da terceira tentativa conseguiu finalmente atingir seu objetivo de liderar o segundo país mais populoso do sul da América. Sua experiência no poder foi marcada por diversas polêmicas e o resultado é um periclitante sentimento de derrota do seu indicado à sucessão, o senador Ivan Cepeda.

As greves, os conflitos sociais, a escalada da violência, a impopularidade das reformas trabalhistas e tributárias foram definitivas para que os colombianos dessem pela primeira vez a oportunidade da esquerda assumir o país. O final melancólico do governo de Ivan Duque, com reprovação altíssima, criou uma certa esperança de uma ruptura e uma possibilidade de construção de um novo caminho. Nesse ínterim, Petro assumiu o papel disruptivo de propor essa nova era ao país. A experiência, no entanto, não saiu como a encomenda, e o atual incumbente sofreu por quatro anos com denúncias de abuso de poder, como as que atingiram sua ex-chefe de gabinete, e uma economia cambaleante e com problemas graves estruturais.

O temor energético, o aumento do preço dos combustíveis, o retardo em produzir reformas estruturantes e a dificuldade em reprimir o tráfico de drogas e as facções criminosas deixaram a gestão Petro durante quase os 4 anos em posição de maior reprovação do que aprovação popular. Uma virada de chave com novos programas sociais como o Renta Ciudadana e a reforma da saúde deram um respiro, que colocou a defesa da continuidade em jogo novamente. Se nem tudo está perdido, o assistencialismo de estado, política altamente reproduzida no continente, é o responsável por se criar uma esperança de competitividade.

O tabuleiro eleitoral, todavia, tem se mostrado muito desafiador para o governo. A pesquisa do instituto Atlas Intel, contratada pela Revista Semana, cujos resultados tem sido extremamente assertivos mundo à fora, mostra uma migração direta de votos entre os postulantes da oposição em um segundo turno. Da direita mais extrema, como De la Espriella ao centro, com Sérgio Fajardo, passando pela direita tradicional, representada pelo uribismo, com Paloma Valência, os votos navegam entre aqueles que querem por fim à experiência esquerdista.

A Atlas revela que independentemente de quem for ao segundo turno, o desejo da maioria da população é por um nome que derrote o governo posto. Ao analisar os meandros das candidaturas, no entanto, Valencia parece ser aquela que tem melhores condições de performance na segunda volta. O perfil radicalizado de De La Espriella pode de certo modo afugentar o eleitor mais centrista e dar um certo fôlego de narrativa para o governo, que pode usar de temores de ruptura democrática para avivar um sentimento parecido com o que ocorreu no Brasil em 2022, que fez alguns taparem o nariz para votar em
Lula, por receio do que seria uma legitimação de Bolsonaro.

Outras pesquisas tem sido dissonantes na projeção de segundo turno, mas trazem um dado interessante que são os altos níveis de indecisão e nulidade dos votos. Com um modelo bastante moderno e interessante de avaliação dos cenários, a Atlas tem conseguido sempre ser uma bússola de projeção de resultados, justamente por uma metodologia inovadora que permite mais tempo de resposta ao entrevistado e uma participação ativa e não passiva. O entrevistado é convidado a responder no seu tempo e não interceptado por entrevistadores alvoroçados por respostas.

Com grandes desafios pela frente, o próximo presidente colombiano terá que pacificar um país em todos os sentidos, sejam eles econômicos, de segurança pública ou políticos. Exemplo para o mundo na desarticulação dos cartéis, a Colômbia se permitiu ser governada por aqueles que defenderam as forças revolucionárias, na expectativa de maior maturação política dos envolvidos. O resultado, entretanto, é de que a expectativa do voo para o futuro foi abrandada e essa esquerda conseguiu no máximo um voo curto típico das galinhas. Na hora da decisão, muitos pontos estarão em jogo, mas tudo parece levar a crer que a decisão será plebiscitaria sobre a continuidade ou não da esquerda no poder.
 
 
 

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