ONU cobra fim da impunidade em mortes de jornalistas
Guterres diz que seis de cada sete assassinatos de profissionais de imprensa ficam sem punição

O secretário-geral da ONU, António Guterres, divulgou mensagem nesta semana pelo Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, celebrado em 2 de novembro. Segundo ele, jornalistas continuam pagando caro por apurar e divulgar informações, sendo muitas vezes assediados, vigiados, processados, agredidos, presos e, em alguns casos, torturados ou mortos. Guterres afirmou que a impunidade nesses casos é uma "afronta hedionda às vítimas e seus entes queridos".
De acordo com dados citados pela ONU, pelo menos 34 jornalistas foram assassinados em 2025. Em média, seis de cada sete desses crimes ficam impunes, proporção que chega perto de 100% em contextos de conflito armado. Entre 2023 e 2024, 162 jornalistas morreram no exercício da profissão, quase metade deles em países com conflitos armados, contra 38% nos dois anos anteriores. O número de jornalistas mulheres assassinadas em 2022 chegou a dez, o maior nível desde 2017.
Avanço lento desde 2012
A ONU informou que, desde o lançamento do Plano de Ação sobre a Segurança dos Jornalistas, em 2012, a taxa de impunidade em países sem conflitos armados caiu de 94% para 77%. Guterres reconheceu que o avanço ainda é insuficiente e defendeu que todos os ataques contra profissionais de imprensa sejam investigados e que os responsáveis sejam punidos, com atenção especial a agressões cometidas on-line. Segundo dados da organização, 85% dos assassinatos de jornalistas desde 2006 continuam sem solução ou foram abandonados.
Para o secretário-geral, a liberdade de imprensa é "fundamental para os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito". Ele reforçou que, quando o jornalismo é silenciado, "todos nós nos tornamos vítimas".
Com informações da ONU News.
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